Como o seu nome sugere, o Anticristo apresentar-se-á como um imitador do Redentor, embora procure ocultar a sua profunda aversão e inimizade para com Cristo. Assim, poderá até citar o Evangelho, mas dando ênfase especial a passagens que abordam as necessidades das pessoas, de modo a criar a impressão de que é motivado pela caridade cristã e a apresentar-se como um defensor da justiça e da misericórdia. Na realidade, ele oferecerá uma espécie de “evangelho deste mundo” que nega a transcendência de Deus e a necessidade humana de Redenção. O que ele ocultará cuidadosamente é a sua “missão satânica”, que consiste em alcançar o domínio global e penetrar no templo de Deus para usurpar o Seu lugar (cf. Mt 24,15).
O Anticristo exercerá influência sobre a Igreja, valendo-se dela para seus próprios fins e tentando perverter a missão que foi confiada à Esposa do Cordeiro. Ele conseguirá conquistar um número considerável de cristãos e causará enorme confusão durante o tempo da grande apostasia.
Muitos suspeitam que o Anticristo terá ao seu lado uma espécie de “Falso Profeta” (cf. Ap 19,20) que terá preparado o caminho para a sua vinda. Infelizmente, não se pode descartar a possibilidade de que esse Falso Profeta provenha do âmbito eclesiástico, assim como a fé cristã não será estranha ao Anticristo. Recordemos lo que advierte san Juan en su cartaLembremos o que São João adverte em sua carta: «Filhinhos, é a última hora. Ouvistes dizer que um Anticristo viria; pois bem, muitos anticristos apareceram, e assim percebemos que já é a última hora. Eles saíram do meio de nós, mas não pertenciam a nós. Se tivessem pertencido a nós, teriam permanecido conosco» (1Jo 2,18-19).
que se esconde por trás da aparente filantropia do Anticristo será desmascarado no momento em que lhe oferecerem resistência, que será proveniente, em primeira instância, do meio cristão. Somente então ele revelará sua verdadeira face e perseguirá cruelmente aqueles que se mantêm fiéis aos mandamentos de Deus, aqueles que dão testemunho de Sua Majestade e que, consequentemente, não o reconhecem como soberano supremo.
Alguns, também no âmbito da profecia, suspeitam que, sob a influência do Anticristo, surgirá uma espécie de “falsa igreja” que perseguirá brutalmente a verdadeira Igreja de Cristo.
Talvez se possa explicar assim: uma Igreja mundana, na qual o erro se infiltrou, não conseguirá resistir ao Anticristo, pois já estará enfraquecida pelo espírito anticristão, permitindo que ele a utilize para os seus planos perversos. Será a fiel “multidão do Cordeiro” (cf. Ap 7,9.14) que oferecerá resistência pela graça de Deus e terá de fugir, por algum tempo, para o deserto (cf. Ap 12,6). Isso também pode se referir a uma espécie de “deserto espiritual” para o qual os fiéis devem se retirar a fim de escapar da influência do Anticristo.
Enquanto isso, os “discípulos do Anticristo” já conseguiram fazer com que sua influência se tornasse a visão politicamente correta, o “mainstream”, em muitos países democráticos. Por meio da política e dos meios de comunicação, eles estão impondo uma espécie de “ditadura do relativismo” que não tolera que as pessoas abracem em valores absolutos e ajam em conformidade com eles.
O solapamento dos mandamentos de Deus, a concentração do sentido da vida exclusivamente no imanente, nas coisas deste mundo; a desorientação moral, a perda drástica da fé, a exclusão da fé da esfera pública, a crescente imoralidade, a manipulação por meio da mídia e das redes sociais, a globalização do declínio ocidental com a sua “cultura da morte”… Tudo isso são sinais de que não vivemos numa “era de ouro” que resplandece com a civilização humana. Ao contrário, parece que se prepara um domínio que busca explorar esse declínio para erigir um reino distinto do de Deus. A cegueira, que surge do pecado e da ignorância quanto ao verdadeiro sentido da vida, levará muitos a serem vítimas das enganações do Anticristo.
A “religião” ou cosmovisão do Anticristo não exigirá que as pessoas se convertam e mudem para melhor; em vez disso, oferecerá à humanidade uma suposta liberdade para ceder às suas inclinações e desejos, desde que estes não afetem os outros. Se omite toda dimensão transcendente e a responsabilidade pela própria vida diante de Deus. A religião do Anticristo será uma espécie de “religião imanente”, uma vez que qualquer transcendência revelaria o Reino de Deus. Consequentemente, dar-se-á prioridade a valores como paz, benevolência, ecologia, educação, combate à fome e à pobreza, saúde e assim por diante, tudo isso sem apontar para Aquele que é a fonte de toda boa obra: o próprio Deus.
Assim, o homem toma o lugar de Deus.
Após refletirmos longamente sobre a figura do Anticristo, nas próximas meditações voltaremos nossa atenção para identificar a influência que o espírito anticristão já exerce sobre o mundo e a Igreja e, em seguida, para apontar as armas espirituais adequadas para resistir a ele.
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Meditação sobre o evangelho do dia: https://br.elijamission.net/a-verdadeira-ascendencia-de-jesus/
