A leitura de hoje (Nm 20,1-3.6-13) relata-nos uma rebelião dos filhos de Israel contra Moisés e Aarão no deserto de Sin. Levavam quase quarenta anos de travessia e estavam descontentes com as circunstâncias. Murmuraram contra Moisés e Aarão e protestaram pelo lugar miserável onde se tinham instalado em Cades, onde não havia trigo, nem figueira, nem vinha, nem romeira.
RETIRO ESPIRITUAL DE QUARESMA Dia 23: “Não deixar falar os demônios”
Hoje é o vigésimo terceiro dia do nosso itinerário quaresmal. Antes de entrar no tema, terminemos a «exposição floral» que começamos ontem, recordando cada uma das «flores» colhidas desde o dia 12 até o 22.
Dia 12: Lidar com o dom da sexualidade segundo o que Deus dispôs em nosso estado de vida e evitar toda forma de impureza.
Dia 13: Percorrer o caminho da santidade como expiação pelos incontáveis pecados e ofensas contra Deus, a incredulidade e as injustiças cometidas contra as pessoas.
Dia 14: Confiar em Deus em todas as situações, dando-Lhe o primeiro lugar em nossa vida, permanecer fiéis à reta doutrina da Igreja e viver conforme ela, e superar as tentações da soberba servindo a Deus e ao próximo.
Dia 15: Uma flor de paz, que crê na Onipotência de Deus, capaz de mudar tudo.
Dia 16: Pedir ao Senhor que nos conceda um coração cheio de confiança n’Ele e que Lhe pertença sem reservas.
Dia 17: Implorar a Deus que nos conceda um coração novo.
Dia 18: Trabalhar na conversão do nosso coração, estando dispostos a admitir o mal que procede de dentro.
Dia 19: Perceber nossas sombras e apresentá-las sinceramente a Deus.
Dia 20: Lutar para obter um coração puro para que seja uma arma da luz no combate contra os espíritos do mal.
Dia 21: Manter nosso coração sempre disposto a perdoar.
Dia 22: Pedir ao Espírito Santo o dom do temor de Deus.
No evangelho de hoje (Lc 4,38-44), encontramos Jesus curando os enfermos, fosse a sogra de Pedro ou aqueles que sofriam de diversas doenças. A todos eles impunha as mãos e os curava. De muitos saíam demônios. O Evangelho relata assim: «Ao pôr do sol, todos os que tinham enfermos com diversas doenças traziam-nos a Ele. E Ele, impondo as mãos sobre cada um, os curava. De muitos saíam demônios gritando e dizendo: “Tu és o Filho de Deus!” E Ele, repreendendo-os, não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Cristo» (vv.40-41).
Aqui chama a atenção o fato de que Jesus não deixava os demônios falarem. É uma lição significativa para nós. Poderia se objetar que, afinal de contas, o que eles diziam era a verdade. No entanto, como vemos, Jesus não lhes permitiu continuar dizendo que Ele era o Filho de Deus. Por que será?
Talvez alguns respondessem que ainda não havia chegado a hora em que Jesus queria tornar isso público. No entanto, suspeito que o Senhor tinha outra razão predominante: o testemunho de Jesus como o Messias devia ser anunciado na força do Espírito Santo por pessoas que O reconheceram e que O amam. Embora, neste caso, o que os demônios diziam parecesse ser verdade, suas palavras nunca estão impregnadas da alegria de conhecer a Deus. Eles têm medo de Jesus e, consequentemente, transmitem uma imagem d’Ele que corresponde à situação deles, mas não à nossa. Os demônios separaram-se definitivamente de Deus e não podem nem querem receber a Sua misericórdia. Isso se reflete na maneira como falam de Jesus.
Para nós é importante compreender e aplicar esta lição, pois mesmo entre os fiéis pode existir a tentação de obter de fontes obscuras «informações» sobre a fé ou outros temas relacionados a ela. Talvez também se interessem em saber o que os demônios disseram durante as libertações ou exorcismos e busquem testemunhos a esse respeito. No entanto, é preciso adverti-los sobre isso. Uma coisa é um exorcista, que recebeu este encargo, realizar exorcismos em pessoas possuídas e, portanto, ter que lidar com esse mundo sombrio e afastado de Deus; outra muito diferente é nós mesmos buscarmos isso por curiosidade.
Em todo caso, Jesus não permitiu que os demônios falassem e continuou com sua missão de anunciar o Evangelho:
«Quando amanheceu, saiu para um lugar solitário, e a multidão O buscava. Chegaram até Ele e tentavam detê-Lo para que não se afastasse deles. Mas Ele lhes disse: “É necessário que eu anuncie também a outras cidades o Evangelho do Reino de Deus, porque para isso fui enviado”. E ia pregando pelas sinagogas da Judeia» (Lc 4,42-44).
Que flor podemos colher da meditação de hoje para o nosso caminho? Estar atentos ao que o Espírito Santo nos ensina sobre a fé e anunciar o Evangelho com o Seu poder, mas não beber informação de fontes que não jorram água pura.
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Meditação sobre a leitura do dia: https://br.elijamission.net/voltemos-nosso-rosto-para-deus/
Meditação sobre o evangelho do dia: https://es.elijamission.net/ha-llegado-uno-mas-fuerte/
RETIRO ESPIRITUAL DE QUARESMA | Dia 22: “O temor de Deus”
Hoje chegamos ao 22º dia do nosso itinerário quaresmal. Talvez alguns de vós tenham colhido um «buquê espiritual» com as flores que fui propondo ao final de cada meditação. De fato, já formamos um ramo bastante grande e cada uma de suas flores nos ajudará a encontrar o fio condutor que nos guia ao longo da Quaresma.
RETIRO ESPIRITUAL DE QUARESMA Dia 21: “Disposição a perdoar”
Após a pequena série sobre a transformação do coração, voltamos às leituras do dia. Este ano, estamos seguindo em nosso itinerário quaresmal o leccionário tradicional. Mas, antes de entrar na matéria, gostaria de compartilhar contigo uma intenção que levo no coração. Trata-se de uma oração que escrevi com o fim de pedir ao Senhor a verdadeira paz que vem d’Ele. Agradeceria que tu, que escutas minhas meditações diárias, te unisses a nós nesta simples oração:
RETIRO ESPIRITUAL DE QUARESMA Dia 20: “A transformação do coração” (Parte III)
Esta pequena série, que pretende mostrar-nos a importância da conversão do coração, também deve ser compreendida em uma dimensão suprapessoal. Isto significa que os vossos esforços para alcançar um coração puro não servem apenas para a vossa santificação pessoal, mas são também uma arma no combate espiritual.
RETIRO ESPIRITUAL DE QUARESMA Dia 19: “A transformação do coração” (Parte II)
Na meditação de ontem, iniciamos uma pequena série sobre o tema da conversão do coração. Pareceu-me oportuno abordá-lo no marco do nosso itinerário quaresmal por dois motivos. Em primeiro lugar, porque, na imitação de Cristo, é sempre necessário aprofundar nossa conversão, para que nossas vidas sejam o mais frutíferas possíveis no serviço ao nosso amado Pai e para que nunca nos detenhamos no caminho de seguimento de seu Filho.
RETIRO ESPIRITUAL DE QUARESMA Dia 18: “A transformação do coração” (Parte I)
Como anunciei ao final da última meditação, gostaria de incluir em nosso itinerário quaresmal uma pequena série sobre a transformação do coração. Por um lado, é um tema que emerge repetidamente dos textos bíblicos da Quaresma, que descrevem como o coração humano se afasta de Deus e apontam claramente os abismos que nele existem. Por outro lado, também é oportuno aprofundar este tema diante das guerras que estão ocorrendo no mundo e que, infelizmente, voltam a afetar a população do Oriente Médio. A guerra que acaba de eclodir afeta de maneira muito significativa Israel, aquela terra na qual Jesus consumou a obra da Redenção.
