VIDAS DE SANTOS “Santa Águeda e o espírito da fortaleza”

 

Hoje, deparamo-nos novamente com uma santa que, sob uma terrível perseguição, se tornou mártir por amor a Cristo ainda muito nova. Em Santa Águeda, descobrimos uma alma inflamada de amor, tal como em Santa Inês, cuja história ouvimos há pouco tempo. Elas tornam realidade as palavras do Evangelho de hoje e são testemunhas e modelos para nós no seguimento do Senhor.

Os santos não estão aqui apenas para serem admirados e invocados, mas também para serem imitados. Por isso, podemos perguntar-nos: o que poderia despertar em mim um amor tão ardente como o deles? Não quero dizer que cada um de nós deva sentir o desejo de sofrer o martírio por Cristo ou de suportar torturas como as de Santa Inês e Santa Águeda. No entanto, cada um de nós deve estar cheio do mesmo espírito, no qual Deus se glorifica e concede a força para o martírio. Trata-se da virtude da coragem e, mais ainda, do espírito de fortaleza.

Começaremos com um breve relato sobre a vida de Santa Águeda.

Ainda muito jovem, Águeda consagrou a sua virgindade a Deus através de um voto. Cheia de amor por Jesus, o seu único desejo era dar a vida por Ele, o seu Esposo celestial.

Sob o imperador Décio, desencadeou-se uma terrível perseguição aos cristãos. Na ilha da Sicília, onde Santa Águeda vivia, o procônsul Quintiano enfurecia-se contra os cristãos. Tendo ouvido falar da riqueza e beleza desta santa donzela, ordenou que a trouxessem perante ele. Ao saber da ordem, Águeda suplicou ao seu Redentor que lhe desse força para o combate e proferiu estas belas palavras:

“Jesus Cristo, Senhor supremo de todas as coisas, vós conheceis o meu coração, sabeis o que desejo, sois o único Dono de tudo o que sou e tenho. Tu és o meu Pastor, ó meu Deus, e eu sou a tua ovelha. Concede-me a graça de triunfar sobre o Diabo”.

Quintiano perguntou-lhe: “Qual é a sua condição?”

Ela respondeu: “Sou livre e pertenço à nobreza.”

“Por que razão, sendo da nobreza, não tem vergonha de se comportar e vestir como uma escrava?”, perguntou o procônsul.

Águeda respondeu: “Porque sou serva de Cristo.” “Se nasceste livre e nobre, como te podes chamar serva?”

Santa Águeda respondeu: “Servir a Cristo é reinar; o seu serviço é a verdadeira liberdade”.

O procônsul perguntou: “Como? Então, nós não somos livres porque desprezamos o Crucificado e honramos os deuses?”

Águeda respondeu: “Como podes ser livre, servindo ídolos sem vida e vendendo a tua alma ao inferno?”

Quintiano, que a desejava, submeteu-a a várias torturas. Mas nenhuma delas conseguiu quebrar a donzela! Ela não perdeu a coragem nem a pureza.

Quintiano ameaçou-a com terríveis tormentos se se recusasse a sacrificar aos deuses. Águeda respondeu-lhe: “As tuas palavras são vãs e inúteis.”

O procônsul disse: “Deixe de professar o cristianismo, cujo nome me é insuportável.”

Águeda respondeu: “Confessarei e louvarei esse nome com o coração e com os lábios enquanto viver.”

Enfurecido por esta profissão de fé, Quintiano ordenou que despissem a virgem e a deitassem sobre cacos de vidro pontiagudos e carvões em brasa.

Águeda suportou corajosamente esta tortura. No entanto, como ocorreu um terremoto no mesmo instante, o povo apressou-se e gritou: “Juiz injusto, não se meta com ela; os deuses vingarão a inocência”. Então, temendo a fúria do povo, o tirano mandou que a virgem fosse levada para a prisão e escondeu-se. Assim que chegou à prisão, a heroína cristã ajoelhou-se e rezou: “Senhor, meu Criador, meu protetor e minha força desde a juventude… Tu que limpaste toda a má inclinação do meu coração e me preservaste intacta, Tu que me concedeste paciência na tortura e a vitória sobre todos os tormentos, acolhe benignamente o meu espírito, porque chegou o momento de deixar esta Terra miserável e ir para Ti, o Misericordioso”. Enquanto dizia esta oração, adormeceu suavemente no Senhor.

A história de Santa Águeda termina aqui.

No início da meditação, havíamos salientado que a virtude da coragem e o espírito de fortaleza concederam a Águeda essa atitude triunfante sobre o mundo.

Com a coragem, que podemos adquirir como virtude, glorificamos o Senhor. Se, por exemplo, assumirmos as fadigas do apostolado por Sua causa; se suportarmos dia a dia as dificuldades da nossa natureza humana, com os olhos fixos Nele, e tentarmos superá-las; se por Sua causa suportarmos as doenças, etc., então estamos a mostrar ao Senhor o nosso amor. E Ele, na Sua insuperável sabedoria, fortalecer-nos-á interiormente para podermos sair vitoriosos da batalha que foi confiada a todos os que seguem o Senhor.

No entanto, mais importante do que a virtude da coragem é o espírito de fortaleza que enchia Santa Águeda. De facto, é este dom do Espírito Santo que nos permite realizar obras como as que ouvimos nas histórias dos santos, pois é o próprio Espírito Santo em nós que as realiza. Ao praticarmos as virtudes, preparamos o terreno para os dons do Espírito Santo e, por assim dizer, erguemos as velas do barco da nossa alma para que o vento de Deus as possa mover.

Quanto mais o espírito anticristão aumentar no mundo e na Igreja, mais necessitaremos da virtude da coragem e do dom da fortaleza.

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 Meditação sobre o evangelho do dia: https://es.elijamission.net/anunciar-el-reino-de-dios-2/

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