Novena a Deus Pai – 2º Dia: “Pai, Vós sois a vida”

Conhecer-vos, Ó Pai, é a vida, a vida verdadeira, a vida eterna… 

De fato é isso que sempre estamos procurando… Estamos constantemente em busca de algo que nos satisfaça, que nos faça felizes – conforme nosso conceito de felicidade – de algo que dure… Mas é possível haver felicidade verdadeira sem Vós? 

Impossível! E com frequência vivenciamo-lo com dor, quando as ilusões são perdidas, deixando o coração ferido ou até mesmo partido.  

Em vossa sabedoria, Vós assim o dispusestes, Pai Amado, mesmo que às vezes magoe. Mas é que tão facilmente nos desviamos e cobiçamos bens transitórios, como se pudéssemos possuí-los para sempre. Quando tomamos estes rumos vivemos num engano, e neles não há vida. A ilusão nos mantém aprisionados e nos impede de caminhar para a vida. Portanto, é melhor despertarmos com dor do que continuarmos sonhando envoltos na mentira.  

Quando vos encontramos, estas palavras ressoam:  

“Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato” (1Jo 3,1). 

Vos encontramos e nos convidas a descobrir o grande amor de nossa vida, um amor sem fim, um amor que não vacila, um amor que perdura no tempo e na eternidade… Esta é, Pai Amado, a verdadeira vida!  

E uma vez que abrimos nossos olhos, vos conhecemos cada vez melhor, e nos surpreendemos diante do vosso amor incompreensível por nós, a quem chamais de vossos filhos.  

Viver como vosso filho significa que cada um de meus dias está escrito em vosso livro (cf. Sl 138,16), significa viver despreocupadamente, liberando finalmente toda a tensão e sendo verdadeiramente livre, porque Vós sois meu Pai e pensais em mim.  

Sabeis, Pai? Isto é o que realmente estou buscando: 

Alguém que me ame de verdade, 

alguém que esteja sempre comigo, 

alguém que me mostre o caminho, 

alguém a quem nunca mais poderei perder, 

alguém que me corrija quando cometo erros…  

 

Pai Amado: Santo Agostinho vos procurou até que vos deixastes encontrar por ele: “Tarde vos amei, beleza sempre antiga e sempre nova, tarde vos amei”, escreveu então cheio de gratidão, tendo encontrado a vida verdadeira em Vós.  

Sabeis, Pai, que ainda existem tantos que não vos conhecem realmente… não sabem que Vós sois seu Criador, nem que sois seu Pai.  

Mas Vós quereis que vos conheçam e que reconheçam vossa bondade paternal! Quereis que todos os homens vivam na segurança do vosso amor! 

O que podemos fazer? 

Sabeis, Pai? Simplesmente lhes falaremos de Vós, direta ou indiretamente, de todas as maneiras possíveis…  

Concedei-nos a plenitude do vosso Espírito, para que possamos proclamar-vos como sois na verdade, e dar a conhecer o amor que nos tendes demonstrado em vosso Filho.  

Os homens precisam tanto de Vós e Vós ansiais tanto lhes dar o vosso amor! Abristes o caminho através do vosso Filho.  

Então o que é que os bloqueia e se interpõe no caminho, quando deveria ser tão fácil chegarem a Vós?  

Ó, é claro! São as ervas daninhas que o inimigo semeia no bom solo para destruí-lo (cf. Mt 13,24-30). E a lei do amor verdadeiro exige uma resposta livre e a ausência do uso de violência. Uma camada de gelo se formou em volta dos corações dos homens, a névoa do erro os confunde e tantos outros obstáculos… 

Mas Vós, Pai, não desistis nem deixais de procurar vossos filhos. Tampouco queremos desistir! Permiti-nos empreender a busca junto a Vós! 

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Novena a Deus Pai – 1º Dia: “Vós sois meu Pai!”

Em 1932, Deus Pai apareceu à religiosa italiana Irmã Eugénia Ravasio e transmitiu-lhe uma mensagem para toda a humanidade (https://www.amadopadrecelestial.org/mensaje). Trata-se, basicamente, de uma declaração de amor aos homens. A mensagem foi cuidadosamente examinada a pedido do bispo de Grenoble, diocese onde os acontecimentos ocorreram, tendo este concluído que a sua origem só poderia ser explicada sobrenaturalmente. Um dos desejos expressos por Deus Pai nesta mensagem é a instituição de uma festa litúrgica em sua honra, a 7 de agosto. Embora apenas a hierarquia eclesiástica possa implementá-la oficialmente, já podemos celebrá-la a nível privado e dedicar este dia de forma especial ao nosso Pai Celestial. Nesse sentido, a partir de amanhã, dia 29 de julho, iniciaremos uma novena a Deus Pai, em preparação para a sua festa.

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O fim dos tempos

Lc 21,9-19  

Evangelho da memória de São Cornélio e Cipriano segundo o lecionário tradicional 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Quando ouvirdes falar de guerras e de sedições, não vos assusteis. É necessário que estas coisas aconteçam primeiro; mas não virá logo o fim. E então dizia-lhes: Levantar-se-á nação contra nação e reino contra reino. Haverá grandes terremotos em vários lugares, pestes e fomes, e também coisas espantosas e no céu grandes sinais.

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Festa do Apóstolo São Thiago | O serviço é a verdadeira grandeza

Mt 20,20-28 

Naquele tempo, a mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”.

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Seguir o impulso da graça

 

Mt 13,10-17 

Naquele tempo, os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que tu falas ao povo em parábolas?” Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem. Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’. Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram”. 

 

Ao ler o evangelho de hoje, talvez nos seja difícil compreender o significado de “ao que tem, mais lhe será dado; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”. No entanto, podemos compreender estas palavras quando as relacionamos com o amor. 

 

O mistério do amor reside no fato de este crescer na medida em que lhe damos espaço e o colocamos em prática, diminuindo quando não respondemos aos seus apelos. Da mesma forma, o coração enche-se cada vez mais do Espírito Santo quando seguimos os impulsos da graça, ao passo que se esfria e fecha quando lhes resistimos ou os ignoramos. Neste último caso, em vez de aumentarmos a capacidade de amar e de cumprir a vontade de Deus, tudo se torna pesado e custa-nos fazer esforços para obedecer concretamente ao Senhor. 

 

Este esfriamento pode chegar ao ponto de deixarmos de nos interessar pelo que Deus quer de nós e ficarmos apenas presos aos nossos próprios interesses. Isto pode acontecer facilmente quando um religioso abandona a sua vocação. Pode chegar a um grau de indiferença tal que o fogo que o chamou a consagrar-se totalmente ao Senhor se apague ou se reduza a uma pequena chama. 

 

Por isso, é tão importante não descuidar o nosso caminho de seguimento de Cristo, fortalecendo-nos constantemente através da oração, da recepção dos sacramentos, do estudo da Palavra de Deus e das boas obras. Se o fizermos, o nosso amor crescerá e Deus acrescentará cada vez mais. Em outras palavras, o amor de Deus poderá manifestar-se plenamente em nós e a medida do nosso amor poderá crescer, ultrapassando em muito a nossa capacidade humana. 

 

Concretamente, no Evangelho de hoje é feita alusão ao povo de Israel. Jesus dirige-se a este povo, que recebeu tanto de Deus. Escolhido e abençoado entre todos os povos, desde antes da vinda do Messias, Israel foi ainda mais abençoado com a vinda de Jesus, o Filho de Deus. No entanto, como o evangelho testemunha, foram poucos os que se mostraram disponíveis para acolher esta enorme graça. O coração do povo estava endurecido, certamente já antes da vinda do Senhor. A profecia de Isaías que Jesus cita fala de um coração embotado e de ouvidos duros (cf. Is 6, 10). Isso aponta para um progressivo endurecimento do coração! 

 

Como poderíamos aplicar estas palavras à realidade atual? Um exemplo deste endurecimento é a descristianização que se está a espalhar rapidamente por muitas nações. Quanto mais o pecado se prolifera e menos os mandamentos de Deus são observados, mais os corações se tornam duros à mensagem do Evangelho, mais os ouvidos se fecham e menos os olhos espirituais enxergam, até se chegar à cegueira espiritual. A luz da fé vai-se apagando e, no seu lugar, surge o espírito da confusão. Pensemos, por exemplo, nas teorias absurdas da ideologia de género, que está a ser incluída na agenda política de muitos Estados. É tão absurda que qualquer pessoa sensata deveria questionar como é possível sequer considerar tal loucura. No entanto, a cegueira é tal que já não se percebe o absurdo desta ideologia. 

 

Quão infinitamente valiosa é, em contrapartida, a luz da fé! Ela permite-nos ouvir e ver, e concede-nos o espírito de discernimento: o que vem de Deus e o que não vem Dele? Onde está a verdade e onde está o erro? Talvez não tenhamos plena consciência da enorme graça que é viver nesta luz. Esforcemo-nos dia a dia para que essa luz não se apague em nós e para podermos ajudar os outros a encontrar Aquele que disse de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8, 12). 

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