“Meu Pai, que mas deu [as ovelhas], é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai” (Jo 10,29).
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EU SEREI O VOSSO TUDO
“Eu serei o vosso tudo e lhe bastarei para tudo” (Mensagem do Pai à Irmã Eugenia Ravasio).
É uma promessa que nosso Pai faz aos “filhos do Seu amor”, ou seja, aos religiosos e às religiosas. Mas certamente não se limita somente a eles, mesmo que se dirija a eles de modo particular.
“O PRINCÍPIO QUE NORTEIA A NOSSA VIDA”
«Confie no Senhor de todo o coração e não se apoie na sua própria inteligência; reconheça-o em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.» (Prov 3,5-6).
Mais uma vez, o Livro dos Provérbios nos adverte a não confiarmos excessivamente em nossas próprias capacidades. Isso também se aplica à inteligência humana. Embora seja um grande dom que o Senhor nos concede no plano natural, ela não deve se tornar o princípio que norteia a nossa vida. De fato, seria uma insensatez, já que, afinal, a inteligência é um dom sujeito às limitações do mundo criado e necessita da luz sobrenatural de Deus para compreender as coisas em sua dimensão mais profunda. Por isso, o Senhor nos convida a confiar n’Ele «de todo o coração». Deus é a verdadeira rocha sobre a qual podemos edificar a nossa vida, uma rocha que não vacila. Se interiorizarmos essa certeza, Deus se valerá de nossas faculdades naturais para a sua obra, e elas ocuparão o lugar que lhes corresponde. Assim se estabelece a verdadeira hierarquia.
Vos compadeceis de todos
“Tendes compaixão de todos, porque vós podeis tudo; e para que se arrependam, fechais os olhos aos pecados dos homens.” (Sab 11,23)
A compaixão do nosso Pai anda de mãos dadas com a Sua amorosa Onipotência. Se não fosse assim, quantas vezes os homens não teriam se auto destruído, bebido eles mesmo do cálice amargo de seus pecados e suportado as consequências de suas faltas sem mitigação? Mas Nosso Pai ama compadecer-se da humanidade.
“Amais tudo que existe, e não odiais nada do que fizestes, porquanto, se o odiásseis, não o teríeis feito de modo algum.” (Sb 11,24).
Por serdes assim, olhais para o homem com mansidão e longanimidade:
“Mas poupais todos os seres, por todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida.” (Sb 11,26).
Esta é a nossa esperança, Pai amado. Não podemos colocar nossa confiança em nossas obras ou em nós mesmos, mas podemos confiar em Vós e no vosso amor! E quando corremos o perigo de nos desanimarmos por causa de nossos pecados e fraquezas, Vós nos levantais novamente.
O alcance do vosso amor é inconcebível! Se não fosse assim, Vós não seríeis o Senhor, mas uma imagem que criamos para nós mesmos, um produto de nossa imaginação, de nossos desejos ou de nossos medos. Mas Vós sois quem sois (cf. Êx 3,14) e, por meio do vosso Espírito, fazeis com que o compreendamos.
O dom da sabedoria nos permite “saborear-Vos”; saborearmos vosso precioso amor. Ao mesmo tempo nos convidais a nos assemelharmos a Vós, como o vosso amado Filho nos exortou a fazer (cf. Mt 5,48). Então, amado Pai, chegaríamos a ser totalmente diferentes, tal como queríeis que fôssemos desde o princípio. Podemos pedir-Vos que nos faça semelhantes a Vós, mesmo se muitas vezes ainda estejamos tão distantes de Vós?
Já que quereis isso, ousamos pedir-Vos: Fazei de nós um motivo de alegria para Vós; não deixeis de nos moldar à vossa imagem e semelhança; despertai-nos de tal forma que sejais glorificado por meio de nossas vidas. Por favor!
“NÃO TE JULGUES SÁBIO”
«Não te julgues sábio; teme o Senhor e evita o mal.» (Prov 3,7).
Que insensatez vangloriar-se dos próprios dons e julgar-se superior aos outros por causa deles! Por acaso existe algo que não tenhamos recebido do nosso Pai? Mesmo que tenhamos contribuído para desenvolver os dons mediante o nosso esforço e o estudo, no fim das contas, tudo nos foi dado por Deus.
Trata-se de uma constatação simples, mas decisiva para a atitude fundamental de nossa vida. Se sabemos que tudo devemos a Deus e lho atribuímos como é devido, então a sabedoria divina encontra lugar em nossa alma. A glória e o louvor de Deus devem ocupar o primeiro lugar. Por isso, evitaremos cuidadosamente colocar-nos em primeiro plano e olhar para nós mesmos com vaidade.
“CRESCER EM SABEDORIA”
«Aquele que me escuta viverá seguro, tranquilo, sem medo da desgraça.» (Prov 1,33).
Nosso Pai torna fácil para nós adquirir sabedoria e viver na segurança que tanto ansiamos. Sempre foi assim, mesmo nos tempos em que o homem vivia despreocupado no Paraíso. Enquanto ouvia a Deus, antes da queda no pecado, sua vida transcorria em plena unidade com seu Pai celestial, que tanto o amava. Mas então veio a desgraça, devido à desobediência e por ter dado ouvidos à voz sedutora do diabo.
Agora já não vivemos no Paraíso e sofremos as consequências de tê-lo perdido. No entanto, nosso Pai não nos abandonou à mercê da perdição. Na pessoa de seu Filho, Ele mesmo veio até nós para nos libertar das correntes da culpa.
“SAIBA QUE DEUS ESTÁ SEMPRE CONTIGO”
«Não se preocupe tanto com quem está a seu favor ou contra você; dedique, em vez disso, toda a sua atenção a pensar que Deus está com você em tudo.» (Tomás de Kempis).
Repetidamente, ouvimos os mestres da vida espiritual nos exortarem a não ficar tão preocupados com as outras pessoas. Isso se aplica especialmente ao que elas possam pensar de nós e à relação que têm conosco. Caso contrário, facilmente caímos em todo tipo de suspeita e tampouco estamos a salvo de dar ouvidos a especulações e até mesmo a rumores. Dessa forma, eles encontram espaço em nosso interior.
Tomás de Kempis expressa isso novamente na seguinte frase, desta vez de forma generalizada: «Teríamos muita paz se não estivéssemos tão atentos ao que os outros dizem e fazem, algo que, no fim das contas, não nos diz respeito de forma alguma».
