A PERMANENTE PRESENÇA DE DEUS

 «Desejo que o homem se lembre frequentemente de que estou presente onde quer que ele esteja.» (Mensagem de Deus Pai a Irmã Eugênia Ravasio).

 Com essas palavras, nosso Pai nos recorda que não há momento algum em nossa vida em que Ele se afaste de nós. Deus está sempre presente — seja para nos chamar à conversão, caso nos tenhamos desviado, ou para nos fortalecer e formar segundo a Sua vontade, se vivermos em Sua graça. Nada está oculto ao nosso Pai, que em todas as coisas busca revelar a Sua bondade ao homem e fazê-lo reconhecer até que ponto depende d’Ele.

 Na Mensagem à Irmã Eugenia, Ele prossegue: «O homem não poderia viver se Eu não estivesse ao seu lado, vivo como ele.».

Assim, toda a nossa existência depende da Sua presença amorosa em todas as coisas. Se tivéssemos consciência disso, nossas vidas assumiriam uma perspectiva sobrenatural. Uma vez que respondemos ao chamado à conversão, a presença do Senhor torna-se cada vez mais natural para nós, e nela encontramos alegria. Todo medo se dissipa, e todas as falsas imagens de Deus desaparecem de nossas vidas.

Então, o que nos resta? Restam-nos um grande maravilhamento e uma profunda gratidão pelo fato de que Deus é exatamente quem Ele é. Dia após dia, despertamos para a realidade de que temos um Pai celestial que constantemente nos envolve em Seu amor, bastando que nos voltemos para Ele com confiança e O chamemos de “Pai”. Assim, o amor e a confiança crescem — e sobre isso cantaremos eternamente «no céu, na companhia dos eleitos».

Mas tudo começa aqui, na Terra. É «um antegosto da bem-aventurança celestial, que durará para sempre».

Que convite maravilhoso Deus estende a todos os homens! É como se o nosso Pai nos dissesse: «Acordem e vejam: Teu Pai está sempre cuidando de você e permanece com você. Que mal pode lhes acontecer se vocês se deixarem guiar por Mim?».

 

NEGAR-SE A SÍ MESMO

 «Garanto-lhe que a vitória reside em vencer a si mesmo. Esse é o maior inimigo.» (São Paulo da Cruz).

 Hoje ouvimos, mais uma vez, uma máxima de São Paulo da Cruz. Como são valiosas as máximas dos santos! Muitas vezes, elas brotam de uma comunhão muito íntima com Deus. Por vezes, são palavras que o próprio Senhor lhes inspirou e, em outras, são fruto de uma longa caminhada espiritual. Seja como for, são joias que devemos guardar como tesouro.

A frase de hoje revela quem é o nosso maior inimigo. Não é o diabo, nem o mundo com todos os seus atrativos e tentações. Não; somos nós mesmos — com nossas inclinações vis e aqueles hábitos que relutamos em abandonar. Em outras palavras, o amor-próprio é o nosso maior inimigo. É algo tenaz e profundamente arraigado. Frequentemente se oculta, e não conseguimos identificá-lo de forma suficiente. Teremos de combater o amor-próprio até o fim de nossos dias. É, por assim dizer, o nosso companheiro inseparável, o nosso “amante secreto”, que, no fim das contas, se impõe repetidamente. Infelizmente, isso continua sendo verdade mesmo quando já decidimos seguir o Senhor e sabemos que devemos pôr em prática a exortação de Jesus de negar a nós mesmos. (cf. Mt 16,24).

É uma luta verdadeiramente dura que deve ser travada dia após dia, não com uma atitude tensa ou com os dentes cerrados, mas com perseverança e com a consciência de que, geralmente, será um longo caminho. Isso exige um auto-conhecimento sincero. Devemos estar dispostos a descobrir como a nossa natureza nos arma ciladas e a perceber como o amor-próprio sempre tenta evitar os passos necessários para o crescimento espiritual. Quantas desculpas e justificativas ele tem sempre à mão! E algumas parecem extremamente razoáveis!

Então, o que devemos fazer? Devemos pedir ao Espírito Santo a sua luz para nos conhecermos e nos empenharmos seriamente em vencer o amor-próprio, pois ele obstrui o amor a Deus e ao próximo. Esta luta agradará ao nosso Pai e, com a Sua graça, sairemos vitoriosos!

NÃO INQUIETAR-SE  DIANTE DAS IMPERFEIÇÕES

«Se algum grão de imperfeição se apegar ao seu coração, não se preocupe; lance-a imediatamente no fogo do amor divino e peça perdão com sincero arrependimento. Continue vivendo em paz.» (São Paulo da Cruz).

 Aqui está um conselho espiritual sensato, oferecido por uma “alma abrasada”, para avançarmos no caminho da santidade. De fato, não devemos ceder a ansiedades ou preocupações desnecessárias ao descobrirmos imperfeições em nós mesmos. É claro que também não devemos ignorá-las — muito menos nos acostumar com elas. Pelo contrário, somos aconselhados hoje a lidar com sabedoria com as nossas imperfeições. Ainda estamos em caminhada e não chegamos à meta. Nosso Pai não espera que sejamos perfeitos no momento em que O encontramos; pelo contrário, Ele quer nos guiar rumo à perfeição. Um simples ato de exame de consciência basta para percebermos que ainda temos um longo caminho a percorrer até alcançar a meta. Quem poderia afirmar, verdadeiramente, que já ama de forma perfeita?

O fogo do Espírito Santo, que foi aceso em nós, deseja, naturalmente, que nos tornemos tão puros e perfeitos quanto possível nesta vida terrena. Com efeito, somos chamados a ser como o nosso divino Mestre. Quando nos deparamos com as nossas imperfeições, ainda que sejam apenas como um grão de poeira, devemos imediatamente apresentá-las ao nosso Pai, pedir o Seu perdão e permitir que o fogo do amor divino nos purifique, tal como nos diz São Paulo da Cruz. Este é um processo que teremos de repetir uma e outra vez durante nossa jornada espiritual e, a cada vez, experimentaremos o amor generoso de nosso Pai Celestial. Ao mesmo tempo, nosso Senhor não deixará passar nenhuma oportunidade de nos ajudar a avançar por este caminho da santidade, sempre e quando estivermos dispostos.

Nesse intercâmbio interior de amor, cresce a intimidade com Deus e se dissipa todo medo a Ele, sem que, com isso, descuidemo-nos da vigilância. Permanecemos em paz e aceitamos, com humildade e gratidão, que ainda temos um longo caminho a percorrer.

O AMOR DE DEUS OUTORGA A VIDA

«Meu amor outorga a vida ao homem em cada instante» (Mensagem do Pai a Madre Eugênia Ravasio).

 Se nós, os fiéis, despertássemos plenamente para essa realidade, toda a nossa vida se tornaria um hino de louvor ao amor de Deus. Se todas os homens o conhecessem e reconhecessem, o mundo seria diferente, e muitas sombras seriam dissipadas. O amor de Deus brilharia como um sol radiante nos corações dos homens.

Não são meros sonhos! Trata-se, na verdade, da realidade que Deus estabeleceu, e é precisamente isso que Ele deseja transmitir à humanidade, mostrando-lhe, em todo lugar e circunstância, que as coisas são exatamente assim.

Como a nossa visão seria iluminada — como tudo seria transformado! De fato, o ser humano não está simplesmente imerso em um universo desconhecido, sem saber de onde vem ou para onde vai. Não! Cada um de seus passos foi traçado, e tudo está preparado para que possa viver.

Certamente vivenciamos a existência daqueles poderes hostis à vida, daquelas potestades que, apesar de terem sido maravilhosamente criadas e dotadas de uma beleza inimaginável, não permaneceram fiéis a Deus. Agora, elas invejam a vida que nós, seres humanos, possuímos e buscam destruí-la. No entanto, Deus é capaz de utilizar até mesmo esse abuso da liberdade por parte dos anjos caídos para pôr à prova a nossa fidelidade a Ele. E, mais uma vez, nos concede tudo o que é necessário para resistir e dar testemunho do Seu amor nesta batalha.

Mas, acima de tudo, trata-se de dar a conhecer às pessoas — e de testemunhar com a nossa vida — que elas têm um Pai tão benevolente, cujo amor as envolve a cada instante e cujo maior desejo é que elas reconheçam e correspondam a esse amor.

É difícil? Não; na verdade, é a coisa mais natural quando é um fruto do amor a Deus. O único detalhe é que não podemos nos esquecer disso!

O PAI QUER NOS ENRIQUECER

 

«Anseio por enriquecê-los cada vez mais!» (Mensagem do Pai à Madre Eugênia Ravasio).

 Para conhecer o coração do nosso amado Pai, devemos deixar que estas Suas palavras penetrem profundamente em nós. Nelas, descobrimos a natureza do Seu amor por nós. Deus deseja fazer-nos participantes de Suas riquezas imensuráveis. Ele anseia por derramar Seus dons sobre nós e apenas aguarda que estejamos prontos para receber tudo o que Ele deseja dar.

Infelizmente, nosso Pai às vezes encontra corações que pouco abertos e não compreendem como Ele realmente é. Podem até sentir-se ameaçados, pensando que Deus talvez exija algo deles, ou lhes dê algo, que eles mesmos não desejam de forma alguma. Nesse caso, tem-se uma visão equivocada de Deus, pois, na realidade, nosso Pai celestial deseja apenas o melhor para os Seus filhos. Somos nós que nem sempre sabemos o que é melhor e deixamos de confiar suficientemente no Seu amor.

O fato de o Pai desejar enriquecer-nos significa que Ele quer multiplicar o que já começou em nós. Portanto, Ele não nos concede os seus dons apenas de uma vez por todas; Ele também quer que eles se multipliquem. Pensemos no amor: ele nunca deve estagnar, mas sim crescer cada vez mais. Para garantir que isso aconteça, o Pai provê tudo o que é necessário.

Na Mensagem à Irmã Eugenia Ravasio, continua a dizer: «É por isso que constantemente vos ofereço novas graças e trago à vossa mente aquelas que deixastes passar sem delas tirar proveito para as vossas almas, pois eis que tendes uma ideia tão limitada da Minha bondade e do Meu amor.».

Devemos acolher as novas graças que Ele nos oferece, percebendo como Deus nos toca e nos fortalece, e aproveitando a formação espiritual que Ele proporciona.

Quando Deus nos traz à memória as graças que deixamos de aproveitar, podemos expressar nosso pesar por tê-las deixado escapar e pedir-Lhe sinceramente que nos ajude a «recuperar» o que for possível. Será que o nosso Pai nos negaria isso? Como poderia?