AS TENTAÇÕES DO SENHOR

Amado Pai, na liturgia de hoje encontramo-nos com o diabo, que se atreve a tentar seduzir o teu divino Filho. Que presunção da sua parte, pois em Jesus não há nenhum «lado fraco» de que pudesse valer-se para os seus fins, e ninguém poderia ser-te mais fiel do que Ele, o Filho amado!

Graças te damos, porque Jesus rejeitou estas tentações por nós! Nem sempre nos é fácil compreender como esta tua criatura, que criaste como um anjo glorioso, se afastou de ti, tornando-se teu inimigo e exercendo essa hostilidade contra nós. Que condição tão terrível, que perversão daquilo que tinhas previsto para ele! Por vezes, também podemos perceber esta perversão nos seres humanos, mas sempre com a esperança de que, enquanto durar a sua vida terrena, ainda possam converter-se. Também nos nossos próprios «abismos» e nas sombras do nosso coração podem espreitar perigos, dos quais te rogamos que nos protejas sempre com a tua bondade.

Num cântico aos santos anjos, Santa Hildegarda de Bingen faz alusão à queda de Lúcifer. Diz assim:

«Que alegria triunfante habita na vossa natureza, intacta de toda obra iníqua, daquela iniquidade que brotou no vosso companheiro, o anjo perdido, que desejou voar acima do pináculo mais elevado de Deus e assim se precipitou, atormentado, na ruína. Mas com aquilo mesmo que foi causa da sua queda, tentou o homem, obra das mãos de Deus».

Amado Pai, quão doloroso é quando uma das tuas criaturas falha a meta para a qual Tu a criaste, Tu que és um Pai tão bom e vieste na pessoa do teu Filho para nos remir!

Embora os anjos caídos estejam submetidos ao teu justo juízo, te rogamos, ó Pai, pelos homens, para que não desperdicem o tempo da graça e alcancem o seu destino eterno; para que experimentem contigo e com todos os fiéis anjos e santos o gozo e a glória do Céu.